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Revolução digital

“Não seria utópico afirmar que a fábrica do futuro já é considerada realidade em setores específicos da indústria nos países mais desenvolvidos do mundo, como Alemanha, Estados Unidos, China e outros que têm a manufatura como ponto predominante em suas economias. Trata-se de ambientes que utilizam das novas tecnologias de transformação digital, como sensores inteligentes, Internet das Coisas (IoT), impressoras 3D, robotização, realidade virtual, realidade aumentada, Analytics e inteligência artificial, como ferramentas para operar, programar, ajustar e monitorar suas produções, buscando a maior eficiência e maximização dos resultados”, explica o especialista em transformação digital e inovação, Hamilton Moreira da Cunha Junior.


Robôs programados para trabalhar em cooperação com seres humanos, óculos de realidade aumentada desenhados para visualizar as informações de um equipamento, agricultura de precisão. A coleta e a análise de dados de equipamentos e processos provocaram uma revolução digital a todo tipo de atividade. Trata-se do que o mundo convencionou chamar de Quarta Revolução Industrial.


Essa revolução combina tecnologias cognitivas, como inteligência artificial, com equipamentos conectados para flexibilizar o modo de produzir, comercializar ou prestar um serviço – uma proposta de valor diferenciada a clientes, fornecedores e parceiros, com redução de custos e customização de produtos e serviços.


A diferença desta revolução industrial para as outras três já registradas na história da humanidade está na interação entre as máquinas. Na primeira revolução industrial, no século 18, a máquina a vapor impulsionou a produtividade nas fábricas. Na segunda revolução, no século seguinte, a descoberta da energia elétrica transformou o mundo. A terceira revolução industrial, ocorrida após a Segunda Guerra Mundial com o advento dos primeiros computadores e robôs, automatizou a produção. Agora, com equipamentos conectados à internet interagindo com tecnologias como inteligência artificial e big data, as manufaturas ganham capacidade para aprender, tomar decisões e executar tarefas cada vez mais sofisticadas.


“Existe uma teoria que defende que a indústria do futuro fará com que o custo de produção não mais dependerá de escala de produção, o que quer dizer que o custo de uma única peça será o mesmo que de uma escala de milhares de peças, graças ao nível de evolução da tecnologia, principalmente das impressoras 3D, que reduzirão o tempo de set-up praticamente a zero e não mais necessitarão de produção física de moldes e peças específicas para a produção de um determinado item. Isto será realmente uma evolução”, pondera Hamilton da Cunha Jr.


Segundo consultorias especializadas, já há mais equipamentos conectados à internet do que gente no mundo – algo em torno de 20 bilhões de dispositivos. E a tendência é que esse número se multiplique nos próximos anos. “Se tivermos 10 bilhões de habitantes no planeta e cada um tiver, em média, contato com 10 dispositivos, vamos chegar em torno de 100 bilhões de dispositivos em 2050”, estima o gerente de inovação e Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Lahoz Maia.


Indústrias que aderiram a essas inovações elencam não apenas a redução de custos entre os ganhos. Na linha de cabinas da fábrica de caminhões da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP), óculos de realidade aumentada permitem que o operador visualize imagens com parâmetros e informações dos sensores de um determinado equipamento ou do processo.


Texto extraído da Revista Solutions, Ano 10 | Nº 42 | Danfoss.

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